A média salarial das jornalistas do sexo feminino é menor que a média dos jornalistas do sexo masculino no Rio Grande do Sul e no Brasil como um todo
Não é de hoje que se constata a diferença salarial entre homens e mulheres numa mesma profissão. No jornalismo esta situação não é diferente. Estudos comprovam que os salários femininos são menores que os masculinos em todas as regiões brasileiras, e o estado do Rio Grande do Sul não é exceção neste triste painel nacional.
Paula Melani Rocha, Doutora em Sociologia Política pela Universidade Federal de São Carlos e professora das Faculdades COC, em artigo para a revista Jurídica Eletrônica Unicoc, afirma que “há uma grande variação de média salarial entre homens e mulheres no jornalismo impresso e no eletrônico, no rádio, na televisão, nas revistas, nas agências de notícias e nos setores extra-redação, as quais provavelmente refletem relações de poder e tradição entre as empresas de comunicação”. Acrescenta ainda que “a mulher só ingressou onde lhe foi permitido”, pois nos últimos anos “a maior participação feminina ocorreu nas ocupações de menor prestígio e tradição”.
Ana Meira, jornalista da Zero Hora que atua na Agência RBS, ressalta que “essa diferença salarial atual não se justifica na prática, já que homens e mulheres que exercem a mesma função deveriam ganhar o mesmo salário”. “O mercado antes era dominado pelos homens, mas hoje a situação está começando a mudar, pois existem mais mulheres se formando nas faculdades de jornalismo que homens”, complementa. De fato, constata-se que, em 1995, 41% dos jornalistas formados eram mulheres, mas que dez anos depois este número subiu para 51%. De todos os jornalistas regularizados, 54% são do sexo feminino hoje em dia.
Mas este aumento no número de jornalistas mulheres ingressando no mercado de trabalho não ajudou muito na melhoria dos salários. No final de 2003, a média salarial feminina no RS era de R$ 1.248,21 contra R$ 1.925,73 dos homens. Neste mesmo período, a média brasileira feminina somava R$ 2.058,89 e a masculina estava em R$ 2.511,07. Ou seja, as mulheres brasileiras ganhavam 81,99% do salário masculino. Já no final de 2004, as mulheres ganhavam em média um salário de R$ 1.292,04 no RS, contra os R$ 1912,70 dos homens. A média brasileira estava em R$ 2.058,20 para as mulheres e R$ 2.612,82 para os homens. Ou seja, as mulheres no Brasil ganhavam nesta época 78,77% do salário masculino.
Estes dados comprovam que existe uma diferença salarial marcante entre os profissionais dos dois sexos. Um fator que explicaria esta situação é a constatação de que no Brasil “a maioria dos cargos de chefia ainda são ocupados por homens”, segundo Paula Melani Rocha. Mas, felizmente, esta situação está começando a mudar, como pode se constatar no exemplo do Jornal Zero Hora, que atualmente possui um número equilibrado de mulheres e de homens exercendo a função de chefes de editorias. “De uns quinze anos para cá as mulheres vem ocupando cargos mais importantes em nosso jornal. Hoje em dia estão ingressando mais mulheres que homens por aqui”, conta Rosane de Oliveira, editora executiva e colunista da Zero Hora. O exemplo da Zero Hora é pertinente porque ajuda a exterminar com o preconceito profissional que as mulheres sofrem no que diz respeito aos menores salários.