segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Primeiro programa de TV

Como o Guilherme já contou anteriormente, no dia 22 de novembro fizemos o nosso primeiro programa de TV. Foi uma experiência realmente interessante. Poucos na nossa classe já haviam vivido algo parecido, e isso pesou tanto para o lado positivo quanto para o negativo.
De um lado a euforia, a novidade. Todos queriam dar o melhor de si, e tenho certeza de que deram. Por outro, a inexperiência, a insegurança. É bem difícil controlar o nervosismo.
Meu grupo era composto, além de mim, por Rodrigo Bonaldo, Pedro Palaoro, Filipe do Canto, Bruna Lodi, Amanda Copstein, Jonathan Heckler, Aline Flores, João Weber , Juliana Baldi. Com exceção do Filipe, esse foi o nosso grupo do programa de rádio.

Quando os professores Mércio e Pellanda nos propuseram essa atividade a primeira dúvida foi: qual será o assunto?? Demos vários palpites, alguns ótimos, outros nem tanto. Como tenho muito interesse em jornalismo de guerra, apresentei essa idéia. Felizmente todos gostaram e ficou resolvido, faríamos um telejornal com entrevista sobre conflitos no mundo. Resolvida essa parte, foi a hora de chamarmos um entrevistado.
A primeira opção foi o jornalista Rodrigo Lopes, por sugestão de Cláudio Mércio. Lopes é editor-assistente da sessão "mundo" do jornal Zero Hora. Imediatamente entrei em contato com ele, contei sobre nossa idéia e ele prometeu fazer o possível para nos ajudar. Infelizmente por motivos de trabalho ele não pôde comparecer ao programa, mas foi muito atencioso e nos respondeu algumas perguntas que foram bem úteis.

Trecho da entrevista com Rodrigo Lopes:

"- Quando tu foste para Líbano e Israel, ficaste quanto tempo? Para que veículo tu trabalhavas?
Fiquei 22 dias no Oriente Médio (Israel, Jordânia, Turquia, Síria e Líbano). Cobri a guerra para Zero Hora e Rádio Gaúcha)

- Quais são as principais diferenças entre a guerra que tu acompanhaste pessoalmente e a mesma guerra que tu acompanhas pelas mídias?
Cada guerra tem um aspecto particular, que a diferencia das outras. Seja pela localização geográfica ou pelos interesses em disputa. Por tanto, não se pode comparar a guerra travada entre Israel e o Hezbollah (que eu cobri) com o conflito no Iraque ou no Afeganistão. Particularmente, acho que uma coisa elas têm em comum: numa guerra, o ser humano se revela por inteiro, mostra o que há de melhor e pior dentro de si, porque está vivendo em uma situação limite. A guerra revela toda a monstruosidade que escondemos dentro de nós. E ao mesmo tempo toda a nossa solidariedade.
Estar no front nos possibilita ter uma visão muito particular dos dramas dos soldados ou das populações atingidas, refugiados, etc. Se pode humanizar mais a cobertura, trazendo dramas pessoais, histórias de vida com detalhes. Numa guerra coberta à distância, apenas com agências internacionais, tem-se um perigoso distanciamento. Corre-se o risco de fazer uma cobertura sem cor, sem vida, sem histórias de pessoas. E o jornalismo, em última análise, é isso: histórias de pessoas. Uma dificuldade que se tem ao se estar in loco cobrindo um conflito é a visão do todo. Como estamos às vezes muito focado em um fato específico, como a cobertura de uma operação ou num campo de refugiados, não sabemos às vezes o que está acontecendo em nível de diplomacia ou governo.

- Após o teu retorno, no que esta guerra modificou no teu jeito de ver e analisar o mundo? E o que esta experiência pôde mudar até mesmo no teu cotidiano?
Eu acredito que me tornei um jornalista mais humano, mais sensível. Abri um pouco mais minha mente para diferentes culturas. Tornei-me mais paciente com as diferenças de opiniões. E passei a acreditar menos no ser humano, porque presenciei cenas que nunca achei que o ser humano fosse capaz de fazer: matar, torturar, etc.

- Como faz o jornalista para manter uma postura imparcial ante uma situação tão extraordinária como a guerra?
A discussão sobre imparcialidade jornalística me parece um tanto ultrapassada. Todos os fatos passam por um filtro pessoal. Ou seja, aquilo que vemos, ouvimos, sentimos passam pelo nosso próprio filtro, um filtro composto por nossas idéias, preconceitos, simpatias, preferências, etc. O que acredito deve estar em discussão é a independência jornalística. Isso eu não abro mão. É possível ser independente, não ter vínculos com partidos políticos ou ideologias. O compromisso do jornalista tem que ser com o seu público e com a verdade. Numa guerra é muito difícil se chegar à verdade, mas o nosso desafio é tentar chegar o mais próximo dela."


Com a impossibilidade do Lopes, optamos por uma abordagem diferente. Convidamos o historiador Francisco Duarte, especialista em Revoução Russa. E foi uma surpresa! Um rapaz muito jovem, à primeira vista apenas um garoto, que se revelou uma pessoa extremamente segura e didática. Logo na pré entrevista, minutos antes do programa, tivemos certeza de que fizemos uma boa escolha. A entrevista foi bem interessante, focada no impacto que a Revolução Russa teve no Rio Grande do Sul, assunto que daria pra muitas horas de conversa. Como nosso tempo era muito limitado (apenas 10 minutos) e Frederico fala bastante, não pudemos fazer o debate, como haviamos planejado. Por sermos ainda inexperientes, foi difícil interrompê-lo e acabamos nos atrapalhando.

Logo no fim do programa ficamos todos um pouco decepcionados, achando que nosso desempenho tinha sido aquém do esperado. Mas uma semana depois, assistindo o programa na aula, vimos que foi até bem legal (para o primeiro). Temos muito que melhorar, mas esse gostinho agridoce de aparecer na televisão pela primeira vez foi no mínimo interessante. E, pelo menos pra mim, muito útil, já que acabei de uma vez por todas com a dúvida que me acompanhava desde que resolvi trocar a veterinária pelo jornalismo: "será que vou conseguir fazer televisão um dia??"

A resposta não poderia ser mais óbvia... Nem que a vaca tussa!!

Agora com licença. Vou dar o xarope pra Mimosa.

Cronologia do jornal impresso

59 a.C. - Acta Diurna é publicado em Roma. Júlio César ordena que os principais eventos políticos e sociais do
dia sejam divulgados a seus concidadãos. Repórteres nomeados pelo Estado, chamados de “actuarii”, colhem
informações sobre tudo, de guerras e sentenças judiciais a nascimentos, óbitos e casamentos.
713 - Mixed News, em Kaiyuan, é o primeiro jornal publicado na China. “Kaiyuan” é o nome dado ao ano em
que foi publicado o jornal.
1040 - Na China, Pi Sheng inventa a imprensa usando blocos móveis de madeira.
1392 - Invenção dos tipos móveis na Coréia.
1447 - Johann Gutenberg inventa a prensa de impressão, processo que viria possibilitar a produção em massa
da palavra impressa.
1501 - O Papa Alexandre VI decreta que impressos terão que ser submetidos à autoridade eclesiástica antes de
sua publicação a fim de impedir heresias. O não cumprimento desse decreto levaria a multas ou excomunhão.
1556 - O governo veneziano publica Notizie scritte, jornal mensal pelo qual os leitores pagavam uma “gazetta”,
ou pequena moeda.
1588 - Em Colônia, Alemanha, Michael Entzinger publica um noticioso de 24 páginas relatando a derrota da
Armada espanhola. A primeira página do noticioso mostra uma gravura representando a Armada espanhola
navegando ao longo da costa da Inglaterra. Embora o relato tenha chegado meses após o acontecimento, trata-
se do mais antigo “furo de reportagem” sobre um acontecimento histórico importante.
1621 - Em Londres, é publicado o primeiro jornal com título, o Corante.
1631 - Fundação de Gazette, o primeiro jornal francês.
1639 - Primeira prensa na América colonial.
1645 - O jornal mais antigo do mundo ainda em circulação, o Post-och Inrikes Tidningar, é publicado na
Suécia.
1690 - Publick Occurrences é o primeiro jornal publicado na América, tendo surgido em Boston. Seu editor,
Benjamin Harris, declarou que publicaria o jornal “uma vez por mês ou, se houver muitas ocorrências, mais

amiúde”. As autoridades reais, receosas de publicações impressas sem sua expressa autorização, proíbem o
jornal após apenas um número.
1704 - Daniel Defoe, autor de Robinson Crusoe e em geral reconhecido como o primeiro jornalista do mundo,
inicia a publicação de Review, periódico que cobria assuntos europeus.
1798 - Alois Sedenfelder inventa a Litografia. Embora inventada mais de dois séculos antes, a litografia em
offset tornou-se popular nos anos 1960, constituindo o padrão da indústria hoje em dia.
1803 - O governo militar australiano publica a Sydney Gazette e o New South Wales Advertiser, os primeiros
jornais do país, somente quinze anos após o estabelecimento da colônia de presidiários em Sydney Cove.
1812 - Friedrich Koenig inventa a prensa de cilindros a vapor. Em 1814, John Walter, editor do The Times de
Londres, começa a montar a nova prensa em segredo, com medo que seus gráficos se rebelassem se
descobrissem seus planos. Na noite de 28 de novembro de 1814, Walter retira os gráficos das prensas manuais
com a desculpa de que esperava importantes notícias do continente. A seguir, usando as prensas de Koenig,
produz toda a edição do The Times – a uma velocidade de 1.100 folhas por hora.
1844 - Invenção do telégrafo.
1851 - Fundação da Reuters.
anos 1870- Charles Stewart Parnell usa o Freeman’s Journal para promover as causas de seu Partido
Nacionalista Irlandês.
1880 - Aparecem as primeiras fotografias em jornal.
1900 - Vladimir Lênin funda o Iskra, em Leipzig, Alemanha. Esse jornal revolucionário veio a ser um
importante veículo de propaganda comunista.
1903 - Alfred Harmsworth (posteriormente Lorde Northcliffe) cria o primeiro jornal em forma de tablóide, o
Daily Mirror, em Londres. O Daily Mirror lançou o conceito de entrevista “exclusiva”. A primeira foi com
Lorde Minto, o novo Vice-rei da Índia, em 1905.
1966 - Behram “Busybee” Contractor começa a publicar sua coluna “Round and About” no Evening News da
Índia. Publicada até 2001, a coluna satírica veio a ser a coluna de mais longa duração na história do
jornalismo impresso.
1994 - Surge o primeiro diário independente on-line na Internet.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Mulheres jornalistas recebem menos que os homens

Por Guilherme Bartz, Vanessa Echevenguá e Maysa Maciel

A média salarial das jornalistas do sexo feminino é menor que a média dos jornalistas do sexo masculino no Rio Grande do Sul e no Brasil como um todo

Não é de hoje que se constata a diferença salarial entre homens e mulheres numa mesma profissão. No jornalismo esta situação não é diferente. Estudos comprovam que os salários femininos são menores que os masculinos em todas as regiões brasileiras, e o estado do Rio Grande do Sul não é exceção neste triste painel nacional.

Paula Melani Rocha, Doutora em Sociologia Política pela Universidade Federal de São Carlos e professora das Faculdades COC, em artigo para a revista Jurídica Eletrônica Unicoc, afirma que “há uma grande variação de média salarial entre homens e mulheres no jornalismo impresso e no eletrônico, no rádio, na televisão, nas revistas, nas agências de notícias e nos setores extra-redação, as quais provavelmente refletem relações de poder e tradição entre as empresas de comunicação”. Acrescenta ainda que “a mulher só ingressou onde lhe foi permitido”, pois nos últimos anos “a maior participação feminina ocorreu nas ocupações de menor prestígio e tradição”.

Ana Meira, jornalista da Zero Hora que atua na Agência RBS, ressalta que “essa diferença salarial atual não se justifica na prática, já que homens e mulheres que exercem a mesma função deveriam ganhar o mesmo salário”. “O mercado antes era dominado pelos homens, mas hoje a situação está começando a mudar, pois existem mais mulheres se formando nas faculdades de jornalismo que homens”, complementa. De fato, constata-se que, em 1995, 41% dos jornalistas formados eram mulheres, mas que dez anos depois este número subiu para 51%. De todos os jornalistas regularizados, 54% são do sexo feminino hoje em dia.

Mas este aumento no número de jornalistas mulheres ingressando no mercado de trabalho não ajudou muito na melhoria dos salários. No final de 2003, a média salarial feminina no RS era de R$ 1.248,21 contra R$ 1.925,73 dos homens. Neste mesmo período, a média brasileira feminina somava R$ 2.058,89 e a masculina estava em R$ 2.511,07. Ou seja, as mulheres brasileiras ganhavam 81,99% do salário masculino. Já no final de 2004, as mulheres ganhavam em média um salário de R$ 1.292,04 no RS, contra os R$ 1912,70 dos homens. A média brasileira estava em R$ 2.058,20 para as mulheres e R$ 2.612,82 para os homens. Ou seja, as mulheres no Brasil ganhavam nesta época 78,77% do salário masculino.

Estes dados comprovam que existe uma diferença salarial marcante entre os profissionais dos dois sexos. Um fator que explicaria esta situação é a constatação de que no Brasil “a maioria dos cargos de chefia ainda são ocupados por homens”, segundo Paula Melani Rocha. Mas, felizmente, esta situação está começando a mudar, como pode se constatar no exemplo do Jornal Zero Hora, que atualmente possui um número equilibrado de mulheres e de homens exercendo a função de chefes de editorias. “De uns quinze anos para cá as mulheres vem ocupando cargos mais importantes em nosso jornal. Hoje em dia estão ingressando mais mulheres que homens por aqui”, conta Rosane de Oliveira, editora executiva e colunista da Zero Hora. O exemplo da Zero Hora é pertinente porque ajuda a exterminar com o preconceito profissional que as mulheres sofrem no que diz respeito aos menores salários.

Fases do jornalismo segundo Ciro Marcondes Filho

ÉPOCA

TIPO

Pré-história

1631 A 1789

Artesanal

Primeiro jornalismo

1789 a 1830

Político-literário

Segundo Jornalismo

1830 a cerca de 1900

Imprensa de massa

Terceiro Jornalismo

De cerca de 1900 a cerca de 1960

Imprensa monopolista

Quarto Jornalismo

De cerca de 1970 até o presente

Informação eletrônica e interativa




VALORES JORNALÍSTICOS DOMINATES

ASPECTOS FUNCIONAIS E TECNOLÓGICOS

Pré-história

Espetacular, singularmente novo (desastres, mortes, seres deformados, reis, etc)

Jornal ainda semelhante ao livro, poucas páginas

Primeiro jornalismo

Razão (verdade, transparência); questionamento da autoridade; crítica da política; confiança no progresso

Profissionalização; surge a redação; diretor separa-se do editor; artigo de fundo; autonomia da redação

Segundo Jornalismo

O “furo”; a atualidade; a “neutralidade”; criam-se a reportagem, as enquetes, as entrevistas, as manchetes; investe-se nas capas, logo e chamadas de 1ª página

Rotativas e composição mecânica por linotipos (1890); telégrafo e telefone; cria-se a agência Havas; mais publicidade e menor peso de editores e redatores; títulos passam a ser feitos pelo editor

Terceiro Jornalismo

Grandes rubricas políticas ou literárias; páginas-magazines: esporte, cinema, rádio, teatro, turismo, infantil, feminina

Influência da indústria publicitária e das relações públicas; uso da fotografia

Quarto Jornalismo

Impactos visuais; velocidade; transparência

Implantações tecnológicas (barateamento da produção); alteração das funções do jornalista; toda a sociedade produz informação




AGENTES

ECONOMIA

Pré-história

Empreendedor isolado

Elementar

Primeiro jornalismo

Políticos; escritores; críticos; cientistas

Economia deficitária

Segundo Jornalismo

Jornalistas profissionais

Economia de empresa: jornal tem que dar lucro; aumento das tiragens: 35 mil para 200 mil

Terceiro Jornalismo

Jornalistas, publicitários e relações públicas promovem “indústria da consciência”

Grupos monopolistas dominam a imprensa; época de tiragens-monstro

Quarto Jornalismo

Redes/sistemas informatizados; pessoas em interface; jornalistas prestadores de serviço

Financiamentos migram para a TV e a Internet; crise da imprensa escrita

A primeira experiência na TV

Guilherme Bartz

No dia 22 de novembro de 2007 realizamos nossa primeira experiência como jornalistas de televisão. Formamos quatro grupos na turma, sendo que o nosso foi o último a se apresentar. Basicamente mantivemos o mesmo grupo do programa de rádio que havíamos feito, mas desta vez procuramos fazer algo diferente do que lá fizemos. No rádio enfocamos numa linha mais jornalística, com notícias as mais variadas possíveis, como deve ser a proposta de um jornal. Na TV, optamos por um programa de entrevista, pois acabamos acreditando no potencial de nosso convidado. Em outras palavras, no rádio fizemos um programa mais formal, e na TV optamos por algo mais informal.

Inicialmente, havíamos planejado nosso programa de TV em duas partes distintas, a primeira com notícias e comentários principalmente sobre cultura (mas sem leitura de textos, seria mais uma conversa informal sobre os temas) e a segunda a entrevista propriamente dita. Porém, horas antes de entrarmos no ar, começamos a conversar com nosso convidado e descobrimos que poderíamos extrair muitas informações dele, mais do que imaginávamos. Resolvemos então apostar num programa inteiro com ele (seriam dois blocos de dez minutos cada). Foi realmente uma “aposta” naquele momento, já que havíamos planejado uma coisa e realizaríamos outra. Mas acredito que fomos bem sucedidos, pois dessa forma o programa ficou com uma unidade interessante.

O nosso entrevistado foi o humorista Ayala. No primeiro bloco, entrevistamos o próprio Ayala, o da vida real, em carne e osso. No segundo, entrevistamos a sua criação, a sua personagem, a “sempre bela” Ariska Mel.

Fazer um programa de entrevista com um humorista não é tão fácil quanto parece. Participei apenas do primeiro bloco, ou seja, o bloco mais sério do programa. Nesta primeira parte acho que fomos bem sucedidos. Fizemos umas seis ou sete perguntas para o Ayala. Como ele gosta de falar, a entrevista rendeu bastante e fluiu bem. Mas o segundo foi como fazer uma aposta num jogo: não sabíamos se iríamos ganhar ou perder. Ariska Mel incorporada na nossa frente nos causou certo “medo”. Isso porque a personagem não responde mais pelo seu criador, mas apenas por ela mesma. Como o próprio Ayala nos contou, quando ele se veste de mulher e coloca peruca, batom, colares, seios postiços etc., ele deixa de ser Ayala e vira Ariska Mel. Em outras palavras, entrevistar uma personagem foi arriscado porque não poderíamos prever o que iria acontecer, já que a personagem estava ali com a principal missão de fazer os outros rir, independente de qual fosse o alvo da piada (e o alvo podia ser a gente). Tivemos que ter muito jogo de cintura na entrevista com esse personagem extremamente engraçado.

Mas acho que no geral fomos bem sucedidos. O primeiro bloco fluiu bem, como já disse, e o segundo proporcionou momentos bem engraçados. Obviamente não são todas as piadas que nos fizeram rir, mas como bem falou a Raiza, forçamos umas risadinhas em consideração ao Ayala. Isso faz parte do “jogo”. Não podíamos deixar nosso convidado em uma posição desconfortável. Entretanto, muitas piadas foram bem sucedidas. Atrás das câmeras, em vários momentos eu ri muito, quase não conseguindo me controlar, e precisei abafar as minhas risadas para que não interferisse no andamento da entrevista. O humorista tem talento, definitivamente, e a Ariska Mel é uma ótima caricatura.

Para encerrar, considero uma ótima experiência a realização deste programa de entrevista. O entrevistado foi uma pessoa interessante, que nos permitiu “extrair” muitas coisas. Exercitamos o “jogo de cintura” de uma forma que nenhum outro grupo fez, e tivemos sucesso. Como defeito, aponto o momento final do programa, quando todos se levantaram para dançar e cantar, e o microfone ficou meio distante, não captando muito a voz de Ariska Mel. Foi algo que nos escapou completamente do planejamento, não havíamos pensado que este imprevisto pudesse acontecer. Mas no geral, acho que foi legal. Nosso comportamento foi adequado ao tipo de programa que pretendíamos realizar, o que não causou grande desconforto em nenhum momento da entrevista.

O programa pode ser visto pelo link: http://cyberfam.pucrs.br:16080/labjornoite07/site/TV_Grupo_4.html

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

O crepúsculo dos mestres

Por Sabrina Costa

No dia 30 de julho de 2007, o mundo perdeu dois de seus maiores cineastas: Michelangelo Antonioni e Ingmar Bergman. Mestres do cinema moderno, ainda que não muito conhecidos pelo grande público brasileiro, criaram algumas das obras mais cultuadas por cinéfilos do mundo todo. Em comum, suas obras possuem a capacidade de retratar a solidão, a angústia e a dificuldade de comunicação do homem moderno.

O italiano Antonioni, 94 anos, morreu tranquilamente em sua casa em Roma. Antes de consagrar-se como cineasta, estudou economia e trabalhou como crítico de cinema. Em filmes como A Aventura (1959), A Noite (1960) e O Eclipse (1962), que formam a Trilogia da Incomunicabilidade, Antonioni consegue ser simples em sua complexidade. São filmes marcados pelo silêncio que é quase um personagem, inquieto e angustiante. Em 1966 filmou Blow Up, seu filme de maior sucesso e um marco dos anos 60. Filmado em inglês, registra a fome espiritual de um fotógrafo rico e famoso, mas entediado, que testemunha um assassinato. Profissão: Repórter (1974) foi seu último filme antes de sofrer um derrame em 1985, que o paralisou e o impediu de fazer mais filmes. Ganhou o Oscar pelo conjunto de sua obra.

O sueco Bergman, 89 anos, também morreu em casa, na Ilha de Faro, Suécia, lugar onde passou suas últimas décadas de vida. Filho de um pastor luterano, Bergman teve uma criação muito rígida e severa, que refletiu em seu processo de criação e deu origem a um de seus principais trabalhos, Fanny e Alexander (1982), seu último filme para cinema. Temas como a ausência de Deus, a busca pelo sentido e principalmente a morte, estiveram presentes na maior parte de seus quase 60 filmes. Como esquecer a célebre cena em que o soldado disputa uma partida de xadrez com a Morte? Também teve sua Trilogia do Silêncio, composta por Através de um Espelho (1961), Luz de Inverno (1962) e O Silêncio (1963). Obras que o consagraram como “o homem que faz perguntas difíceis”. Gostava de trabalhar sempre com o mesmo grupo de atores, como Max Von Sydow e Gunnar Björnstrand além de suas musas Ingrid Thulin e Liv Ullmann. Seu último filme lançado no Brasil foi Saraband (2003), filmado para TV sueca. É a continuação da série Cenas de um Casamento (1973), onde Bergman disseca de maneira belíssima e cruel o processo de separação de um casal aparentemente perfeito.

Ambos deixam um enorme vazio no cinema mundial, mas suas obras continuarão a encantar muitas gerações de amantes do cinema. E que os cineastas jamais esqueçam suas brilhantes lições.

sábado, 3 de novembro de 2007

Cronologia da Televisão no Brasil

Guilherme Bartz e Sabrina Costa
  • 1950 - Inaugurada no dia 18 de setembro a primeira estação brasileira de televisão, a TV Tupi de São Paulo, canal 4, pertencente aos Diários Associativos. Dia 19 vai ao ar o programa Imagens do Dia, o primeiro telejornal brasileiro, recebido pelos cerca de cem aparelhos de TV existentes no país. No ano seguinte é instalada a TV Tupi carioca.
  • 1953 - Começa a ser transmitido pela TV Tupi o Repórter Esso, telejornal de enorme sucesso até o final dos anos 60. A TV Record inicia suas transmissões em São Paulo, tendo como carro-chefe programas musicais.
  • 1954 - O Brasil tem 120 mil aparelhos de TV, número que sobe para 6 milhões do início da década de 70.
  • 1960 - Existem 20 emissoras de TV espalhadas pelas capitais brasileiras, e as transmissões são captadas por cerca de 1,8 milhão de aparelhos. Os principais programas infantis da época são Gincana Kibon¸Rin-Tin-Tin, Sabatinas Maizena e Sessão Zás-Trás.
  • 1962 - O videoteipe é introduzido no Brasil. Ele dinamiza e melhora a qualidade das produções, até então realizadas ao vivo, ao permitir gravar e editar as imagens antes da exibição. O telejornalismo, que era feito em película cinamatográfica, ganha mais agilidade.
  • 1963 - A TV Excelsior leva ao ar a primeira telenovela diária brasileira, 2-5499 Ocupado¸ com Tarcísio Meira e Glória Menezes. Transmitida no horário das 19h, tem duração de três meses. Entra em vigor o regulamento dos serviços de radiodifusão no país, elaborado pelo Conselho Nacional de Telecomunicações.
  • 1965 - Início das transmissões de televisão via satélite pela Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel). Quatro anos depois, a Embratel se consolida inaugurando Tanguá I, primeira estação terrestre para comunicação por satélite do Brasil.
  • 1965 - Fundada a Rede Globo de Televisão, canal 4 do Rio de Janeiro, que logo assume a liderança de audiência no país, investindo em telenovelas, programas de auditório, de humor e jornalísticos. A TV Record leva ao ar O Fino da Bossa, apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues, abrindo caminho para a realização dos famosos Festivais de Música Popular Brasileira.
  • 1966 - Sob o Regime Militar, o Serviço de Censura de Diversões Públicas restringe a transmissão de programas estrangeiros e divulga os critérios para a censura prévia de filmes, programas e videoteipes, baseados na Lei de Segurança Nacional.
  • 1967 - O governo federal institui a Fundação Centro Brasileiro de Televisão Educativa, visando a produção e distribuição de material audiovisual educativo. Carlos Alberto de Nóbrega e Jô Soares criam o humorístico Família Trapo, um dos maiores sucessos da TV Record.
  • 1969 - O governo do Estado de São Paulo estabelece a Fundação Padre Anchieta, concedendo-lhe a TV Cultura, canal 2, para fins educativos. Escolhida para adaptar o programa norte-americano Sesame Street (Vila Sésamo), com a TV Globo, a TV Cultura inaugura uma tradição de programas infantis de qualidade que marcará sua história, como Catavento, Mundo da Lua e Castelo Rá-Tim-Bum¸ premiados internacionalmente a partir da década de 80.
  • 1969 - A Rede Globo leva ao ar a primeira operação em rede do país com o Jornal Nacional, que em três anos se torna o principal telejornal brasileiro. Inauguração da Rede Bandeirantes de Televisão, canal 13 de São Paulo.
  • 1970 - Inauguração da TV Gazeta pela Fundação Cásper Líbero. Morto em 1943, o jornalista Cápser Líbero foi responsável pela implantação da primeira escola de jornalismo da América Latina, além da Rádio Gazeta e do jornal Gazeta Esportiva. A TV Globo lidera com folga os índices de audiência, chegando a uma medida de mais de 60% nos anos 90.
  • 1972 - Implantada oficialmetne a TV em cores no país, com a transmissão da abertura da Festa da Uva de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.
  • 1974 - A Embratel implanta o Sistema Brasileiro de Telecomunicações por Satélite (SBTC). Atualmente o sistema é composto de seis satélites de telecomunicações em operação, os nacionais Brasilsat A2 (lançado em 1986), Brasilsat B1 (1994), Brasilsat B2 (1995) e Brasilsat B3 (1998) e os estrangeiros coveniados Intelsat IS-709 e Nahuel 1. Até o fim de 1999, o Brasilsat B4 deve substituir o A2, cuja vida útil chegou ao fim no ano 2000.
  • 1979 - A série O Sítio do Picapau Amarelo, baseado na obra de Monteiro Lobato e produzida pela Rede Globo, recebe o prêmio de melhor programa do ano da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
  • 1981 - Inauguração do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT). Em 1997, o SBT conta com uma rede de 77 emissoras e pode ser captado por 97% dos domicílios com TV.
  • 1983 - Inauguração da Rede Manchete de Televisão, que, em 1997, possui 25 emissoras e alcance de 73% dos domicílios com TV.
  • 1990 - Inauguração da MTV Brasil (Music Television), nove anos após a criação da MTV norte-americana. Na época existiam apenas 128 videoclipes de artistas brasileiros disponíveis. Em 1997 são realizados mais de 1,2 mil clipes no Brasil com padrão de qualidade internacional.
  • 1991 - É implantado no Brasil o sistema de televisão por assinatura. Os canais são distribuídos pela Net-Multicanal (ligada às organizações Globo) e pela TVA (ligada ao Grupo Abril). Além da diversidade de canais, um dos grandes atrativos da TV por assinatura é a melhoria da transmissão dos canais abertos.
  • 1993 - Inauguração da Central Nacional de Televisão (CNT). A TV tropical de Londrina, que deu origem à CNT, foi fundada em 1975. O canal paranaense revela o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, disputado por diversas emissoras desde 1997 por seu grande sucesso de público.
  • 1996 - Entram em funcionamento os sistemas Sky, da Net-Multicanal, e DirecTV, da TV, que levam o sinal de televisão diretamente do satélite ao domicílio do assinante, pela banda Ku. O usuário também tem acesso ao sistema pay-perview, no qual paga uma taxa extra para assistir a programas selecionados. A Rede Globo inaugura em Jacarepaguá, Rio de Janeiro, o Projac, o maior centro de produção de TV da América Latina, com 1.300.000 m2.
  • 1998 - A Rede Globo e a Rede Record fazem demonstrações de transmissão de TV em alta resolução.
  • 1999 - Entra no ar a Rede TV, no lugar da extinta Manchete.
Informações retiradas de: http://www.faced.ufba.br/~tvevideo/fase1/cronologia_tv.htm