Como o Guilherme já contou anteriormente, no dia 22 de novembro fizemos o nosso primeiro programa de TV. Foi uma experiência realmente interessante. Poucos na nossa classe já haviam vivido algo parecido, e isso pesou tanto para o lado positivo quanto para o negativo.
De um lado a euforia, a novidade. Todos queriam dar o melhor de si, e tenho certeza de que deram. Por outro, a inexperiência, a insegurança. É bem difícil controlar o nervosismo.
Meu grupo era composto, além de mim, por Rodrigo Bonaldo, Pedro Palaoro, Filipe do Canto, Bruna Lodi, Amanda Copstein, Jonathan Heckler, Aline Flores, João Weber , Juliana Baldi. Com exceção do Filipe, esse foi o nosso grupo do programa de rádio.
Quando os professores Mércio e Pellanda nos propuseram essa atividade a primeira dúvida foi: qual será o assunto?? Demos vários palpites, alguns ótimos, outros nem tanto. Como tenho muito interesse em jornalismo de guerra, apresentei essa idéia. Felizmente todos gostaram e ficou resolvido, faríamos um telejornal com entrevista sobre conflitos no mundo. Resolvida essa parte, foi a hora de chamarmos um entrevistado.
A primeira opção foi o jornalista Rodrigo Lopes, por sugestão de Cláudio Mércio. Lopes é editor-assistente da sessão "mundo" do jornal Zero Hora. Imediatamente entrei em contato com ele, contei sobre nossa idéia e ele prometeu fazer o possível para nos ajudar. Infelizmente por motivos de trabalho ele não pôde comparecer ao programa, mas foi muito atencioso e nos respondeu algumas perguntas que foram bem úteis.
Trecho da entrevista com Rodrigo Lopes:
"- Quando tu foste para Líbano e Israel, ficaste quanto tempo? Para que veículo tu trabalhavas?
Fiquei 22 dias no Oriente Médio (Israel, Jordânia, Turquia, Síria e Líbano). Cobri a guerra para Zero Hora e Rádio Gaúcha)
- Quais são as principais diferenças entre a guerra que tu acompanhaste pessoalmente e a mesma guerra que tu acompanhas pelas mídias?
Cada guerra tem um aspecto particular, que a diferencia das outras. Seja pela localização geográfica ou pelos interesses em disputa. Por tanto, não se pode comparar a guerra travada entre Israel e o Hezbollah (que eu cobri) com o conflito no Iraque ou no Afeganistão. Particularmente, acho que uma coisa elas têm em comum: numa guerra, o ser humano se revela por inteiro, mostra o que há de melhor e pior dentro de si, porque está vivendo em uma situação limite. A guerra revela toda a monstruosidade que escondemos dentro de nós. E ao mesmo tempo toda a nossa solidariedade.
Estar no front nos possibilita ter uma visão muito particular dos dramas dos soldados ou das populações atingidas, refugiados, etc. Se pode humanizar mais a cobertura, trazendo dramas pessoais, histórias de vida com detalhes. Numa guerra coberta à distância, apenas com agências internacionais, tem-se um perigoso distanciamento. Corre-se o risco de fazer uma cobertura sem cor, sem vida, sem histórias de pessoas. E o jornalismo, em última análise, é isso: histórias de pessoas. Uma dificuldade que se tem ao se estar in loco cobrindo um conflito é a visão do todo. Como estamos às vezes muito focado em um fato específico, como a cobertura de uma operação ou num campo de refugiados, não sabemos às vezes o que está acontecendo em nível de diplomacia ou governo.
- Após o teu retorno, no que esta guerra modificou no teu jeito de ver e analisar o mundo? E o que esta experiência pôde mudar até mesmo no teu cotidiano?
Eu acredito que me tornei um jornalista mais humano, mais sensível. Abri um pouco mais minha mente para diferentes culturas. Tornei-me mais paciente com as diferenças de opiniões. E passei a acreditar menos no ser humano, porque presenciei cenas que nunca achei que o ser humano fosse capaz de fazer: matar, torturar, etc.
- Como faz o jornalista para manter uma postura imparcial ante uma situação tão extraordinária como a guerra?
A discussão sobre imparcialidade jornalística me parece um tanto ultrapassada. Todos os fatos passam por um filtro pessoal. Ou seja, aquilo que vemos, ouvimos, sentimos passam pelo nosso próprio filtro, um filtro composto por nossas idéias, preconceitos, simpatias, preferências, etc. O que acredito deve estar em discussão é a independência jornalística. Isso eu não abro mão. É possível ser independente, não ter vínculos com partidos políticos ou ideologias. O compromisso do jornalista tem que ser com o seu público e com a verdade. Numa guerra é muito difícil se chegar à verdade, mas o nosso desafio é tentar chegar o mais próximo dela."
Com a impossibilidade do Lopes, optamos por uma abordagem diferente. Convidamos o historiador Francisco Duarte, especialista em Revoução Russa. E foi uma surpresa! Um rapaz muito jovem, à primeira vista apenas um garoto, que se revelou uma pessoa extremamente segura e didática. Logo na pré entrevista, minutos antes do programa, tivemos certeza de que fizemos uma boa escolha. A entrevista foi bem interessante, focada no impacto que a Revolução Russa teve no Rio Grande do Sul, assunto que daria pra muitas horas de conversa. Como nosso tempo era muito limitado (apenas 10 minutos) e Frederico fala bastante, não pudemos fazer o debate, como haviamos planejado. Por sermos ainda inexperientes, foi difícil interrompê-lo e acabamos nos atrapalhando.
Logo no fim do programa ficamos todos um pouco decepcionados, achando que nosso desempenho tinha sido aquém do esperado. Mas uma semana depois, assistindo o programa na aula, vimos que foi até bem legal (para o primeiro). Temos muito que melhorar, mas esse gostinho agridoce de aparecer na televisão pela primeira vez foi no mínimo interessante. E, pelo menos pra mim, muito útil, já que acabei de uma vez por todas com a dúvida que me acompanhava desde que resolvi trocar a veterinária pelo jornalismo: "será que vou conseguir fazer televisão um dia??"
A resposta não poderia ser mais óbvia... Nem que a vaca tussa!!
Agora com licença. Vou dar o xarope pra Mimosa.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
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