quarta-feira, 24 de outubro de 2007

A nova promessa do piano gaúcho

Guilherme Bartz

Josias Matschulat, 22 anos, vem sendo apontado por muitos como uma das mais novas revelações do meio artístico gaúcho. Bacharel recém formado em piano pelo Instituto de Artes da UFRGS, Josias surge como uma jovem promessa que reforça a importância de nosso Estado no cenário da música erudita nacional.



Porto-alegrense, Josias iniciou seus estudos de piano aos sete anos de idade. Dono de uma técnica excepcional, já se apresentou em mais de uma ocasião como solista em concertos com orquestras, tais como a OSPA (Orquestra Sinfônica de Porto Alegre). Josias se destacou com prêmios em concursos de piano no Rio de Janeiro, Goiânia e Belo-Horizonte, e também já realizou recitais em diversos estados brasileiros, como SP, RJ, MG, GO e SC. Mais recentemente, fez um recital em Montreal, no Canadá.

Josias faz parte da pequena parcela de músicos que consegue se distinguir no meio ao qual pertence. Apesar de o piano ser um instrumento bastante difundido em nossa sociedade, apenas um pequeno número de estudantes prossegue nos estudos desse instrumento em nível superior e um número menor ainda consegue se destacar na profissão de músico. “Justamente em função de o piano ser um instrumento comum em nossa sociedade, a concorrência é mais elevada e o padrão de excelência acaba se tornando também muito elevado”, revela. Mas mesmo se dedicando bastante aos estudos, Josias diz que consegue levar uma vida normal. Porém, acrescenta, com uma certa ironia: “Depende do que você considera normal...”.


Falando sobre a profissão de músico, Josias comenta: “Além de eu gostar muito de fazer música e me sentir realizado fazendo isso, acredito que Deus me abençoou com um talento e que posso usá-lo para fazer o bem a outras pessoas”. E acrescenta: “Mas aqui no Brasil o músico erudito é pouco valorizado, ao contrário do exterior. Acredito que haja um pouco mais de valorização nos pólos culturais de nosso país, a saber, Rio de Janeiro e São Paulo, mas ainda é pouco”.

O jovem pianista gaúcho gosta de tocar sobretudo composições de J. S. Bach, Beethoven, Chopin, Schumann, Liszt e Brahms, e se espelha no exemplo de pianistas da atualidade como Murray Perahia, Martha Argerich, Krystian Zimerman, András Schiff e o brasileiro Nelson Freire.

“A formação de um grande pianista, como a de qualquer outro músico, se dá por várias razões: o ambiente em que ele está inserido, o incentivo cultural, os bons professores, um bom apoio familiar, a possibilidade de acesso a bons instrumentos e, claro, o talento e a dedicação do aluno”. Ao ouvir a música de Josias, percebemos que ele é um dos poucos que conseguiu se encaixar em muitos destes aspectos.

Josias possui vários planos para o futuro: “Pretendo prosseguir meus estudos fora do país, se possível nos Estados Unidos. Uma temporada na Europa também seria bem-vinda”. Torcemos muito para que Josias consiga cada vez mais se aperfeiçoar nos seus estudos, divulgando a sua música para um número cada vez maior de pessoas: “propagando o bem”, como ele mesmo diz.

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