
Diogo Mainardi, célebre colunista da Revista Veja, realizou no dia 17 de setembro de 2007 a palestra de abertura do 20º Set Universitário ocorrido na PUCRS. Num clima de muita ironia e em meio a manifestações acintosas de uma parte da platéia, o polêmico escritor fez declarações retumbantes sobre o momento atual do Brasil.
Mainardi iniciou seu discurso com a seguinte fala: “Político é tudo ladrão”, frase que, apesar de cair na banalidade da generalização, parece possuir um fundo grande de verdade, já que nos dias de hoje a política nacional anda muito marcada pela corrupção. Seu intuito nesta afirmação foi o de alertar os futuros jornalistas para que estes possuam o máximo de “desconfiômetro” diante dos políticos brasileiros, que por mais inocentes que possam às vezes parecer, são sempre passíveis de corrupção.
O colunista revelou na palestra que já sofreu em torno de trezentos processos, promovidos pelas mais variadas pessoas e empresas. Disse que “falar abertamente” é extremamente perigoso, principalmente quando se faz uso da piada e da ironia, pois este tipo de comportamento pode trazer conseqüências desagradáveis. Atualmente, admitiu ter um pouco mais de auto-censura, já que pôde adquirir bastante experiência nos problemas com a justiça ao longo dos últimos anos. As centenas de processos atrapalharam muito a sua vida, fazendo-o perder muito tempo em função dos deslocamentos para São Paulo para responder à justiça.
Diogo Mainardi não possui curso de graduação completo, e em certo momento acrescentou, talvez para se justificar: “Faculdade não serve para nada”. Pareceu um pouco imprópria esta sua afirmação naquele momento e naquele lugar, pois ele foi convidado (e aceitou) para fazer uma palestra dentro de uma Universidade que, diga-se de passagem, o está pagando para esta função. Indiretamente, talvez ele tenha dito que um bando de estudantes estava ali para assisti-lo por nada. Isso nos faz pensar que a palestra não possui função de existir: uma palestra promovida por um organismo que não serve para nada provavelmente não tem importância na vida de ninguém.
Mas, à parte as suas generalizações e à sua incapacidade de se aprofundar nos assuntos, Diogo Mainardi fez afirmações que dificilmente podem ser contestadas: “O PT rouba e é perseguido por isso”, “A Rede Globo foi excessivamente cautelosa na cobertura do Mensalão”, “Desconfiem de todos os políticos”, “A Rede Globo está contaminada pela chapa-branca”, “O Mensalão era ‘diário’”, entre outras.
Crítico ferrenho do Brasil, Mainardi ainda falou em vários momentos que nosso país é extremamente pobre e atrasado e que não possui solução, o que despertou a ira de certos espectadores. Adentrando no campo literário, achincalhou Mário de Andrade e Carlos Drummond de Andrade, acusando-os de serem insensíveis à época em que viviam. Com o argumento de que estes escritores não abordavam em suas obras os problemas de seu tempo (como a Segunda Guerra Mundial), Mainardi quis rebaixar a importância desses grandes artistas brasileiros. Cabe uma pergunta: o artista não tem a liberdade de optar por qual caminho a sua arte deve seguir? Da mesma forma, quando acusou Luís Fernando Veríssimo de escrever “crônicas vazias”, não devemos nos perguntar: em que sentido elas são vazias? Podem ser vazias num sentido político, que foi o que ele deu a entender, mas com certeza não o são em outros aspectos da literatura e sob outras formas de abordagem crítica.
As manifestações contra Diogo Mainardi, promovidas por uma minoria de pessoas desorganizadas nos seus atos, só serviu para reforçar a sua aura polêmica. Diogo Mainardi não deve ser levado a sério em tudo que diz. O seu espírito corajoso e desbravador precisa ser valorizado, mas, ao contrário do que ele afirma, atirar pra todo lado e criticar tudo e todos é fácil sim (quando não se possui nem a auto-crítica e nem a ponderação para isso). “O PT é um partido de sindicalistas corruptos” foi mais uma das suas generalizações, e não deve ser encarada como uma verdade absoluta. Com certeza há muitos políticos corruptos pelo Brasil, estamos cheios deles, mas não é possível afirmar que 100% deles o sejam.
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